Nós já fazíamos a Obra de Deus no Brasil há 2 anos, quando fomos enviados para servir nas Filipinas. Fomos com muita expectativa, com muita alegria, por poder viver a experiência de servir ao nosso Deus em outro país. Dissemos a Deus: Senhor, eis-nos aqui.
Mas com o passar do tempo começaram a vir as dificuldades e, então entendemos o que realmente significa o “eis-me aqui”.
Como eu nunca tinha ficado tão longe da minha família, comecei a sentir muita saudade, eu não conseguia nem ver as fotos que eu chorava. Foi aí que vi o quanto eu era apegada a eles, por ser a caçula isso ainda contribuía mais, pois era muito próxima dos meus pais.
Naquela época, não tínhamos acesso à internet como temos hoje. A única forma de manter a comunicação com a família era por ligação telefônica, que fazíamos através de um telefone público, que além de não ser barato, era uma ligação curta.
Um tempo depois, surgiram as Lan House ou Cyber Cafés, onde tínhamos acesso à internet através de um computador. Foi então que, pela primeira vez, depois de três ou quatro meses, consegui vê-los pela câmera, e foi muito difícil. Não conseguia conter as lágrimas, então eu deixava meu esposo falar com eles, enquanto eu chorava sem eles perceberem, depois enxugava as lágrimas e voltava a falar.
Mas houve um dia que eu falei com Deus: “Meu Deus, eu não aceito mais isso, o Senhor me chamou para Te servir, eu não posso ficar com esse apego, senão vou ficar dividida na tua Obra.” E, decidi lutar contra aquele sentimento. Peguei tudo que eu tinha relacionado à minha família, como fotos e outros objetos e guardei tudo numa mala e disse que só voltaria a ver quando vencesse aquele sentimento. E foi assim, com a força de Deus, consegui vencer. Dentro de mim não tinha mais aquela vontade de chorar, Deus me revestiu de uma força, que eu naõ sei explicar.
Depois de um tempo, meu marido ficou doente, pegou uma dengue grave, e aí foi outra experiência, pois eu nunca havia passado uma situação assim com meu marido, de me sentir impotente para ajudá-lo. Ee chorava de dor à noite, com muito frio, febre, e uma quentura e coceira nas pernas, ele dizia que parecia que ia sair algo das pernas dele. E foi a primeira vez que vi meu marido pedindo a Deus que se não fosse possível curá-lo, que o levasse logo, pois ele já não suportava aquela dor. O que nos restava era somente orar, pois os remédios pareciam não fazer efeito. No dia seguinte fomos ao hospital, pois ele não estava aguentando, quando chegamos lá deram a ele remédio na veia, e o médico disse que o caso dele era dengue hemorrágica e me perguntou o que eu havia feito, pois ele não teve hemorragia. Naquele momento vimos que foi realmente a mão de Deus. E graças a Deus, ele ficou bem e se recuperou rápido, para a honra e glória do nosso Deus.
A outra experiência que passei nesses anos servindo a Deus, fora do meu país, foi a perda dos meu pais e da minha irmã. Não foi fácil, mas Deus preparou tudo, para que eles fossem salvos, essa foi a minha maior alegria: a certeza da salvação deles. E Deus me fortaleceu de tal forma, que não sei explicar, até hoje quando lembro deles é como se estivessem vivos, não sinto tristeza, pois creio que quem morre em Cristo, não morre, mas tem a vida eterna.
Uma última experiência que gostaria de compartilhar, aconteceu há três anos. Tive uma paralisia facial, e foi um susto, pois a minha face entortou, meu rosto ficou caído de um lado. No princípio pensei que fosse um derrame cerebral, mas quando fui ao médico, disseram-me que era uma doença chamada Paralisia de Bell, que é a paralisia do nervo facial. Comecei a tomar os remédios, mas tudo que bebia e comia caía da boca, eu teria que comer com canudinho, e depois, com o tempo teria que fazer fisioterapia.
Eu tinha vergonha de comer, então eu comecei a comer antes do meu esposo.
A noite tinha de dormir com tapa olho, pois meu olho não fechava, e a médica disse que se não tapasse meu olho ia secar. Para sair na rua tinha de colocar óculos para não pegar vento.
O diabo a todo momento soprava pensamentos do tipo: E agora, como você vai servir a Deus com essa boca torta?
Até que um dia me revoltei com aquela situação, e disse para Deus: “Sabe de uma coisa, meu Deus, eu vou comer junto com meu marido sim! E se o Senhor quiser que eu Te sirva com a boca torta eu vou servir ao Senhor, assim mesmo. Mas não vou deixar de servir ao Senhor! Mas eu creio que, para envergonhar esse diabo, a minha boca vai voltar para o lugar, e vai ficar até melhor do que era antes!” Então comecei a usar a minha fé e me ungir todos os dias e orar pela minha cura.Não foi fácil, mas para a honra e glória de Deus, hoje meu rosto está perfeito. Muitas foram as experiências vividas até aqui, lutas que só fortaleceram a minha fé e confiança nesse Deus maravilhoso a Quem servimos.
– Delma Freitas, atualmente na Inglaterra










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