Enquanto lia todos esses relatos impactantes, me deparei com lágrimas rolando no meu rosto. Depois, quando parava por um momento, me via pensando naqueles depoimentos, imaginando as histórias, desenhando na mente as feições das pessoas relatadas.
A senhora que sobreviveu ao míssil no seu prédio, o senhor que pediu perdão aos filhos no hospital, a moça que perdeu a mãe em um bombardeio, as crianças no orfanato, os jovens desmotivados, os idosos desamparados, enfim… pessoas desconhecidas, que vivem em uma realidade tão longe da minha, porém, tão próximas a mim. Como se fossem uma extensão de mim mesma, um membro do meu corpo, gritando por socorro longe de mim.
Na verdade, essa dor que sentimos quando lemos esses relatos são reais porque, como parte do Corpo de Cristo, sofremos o que Ele sofre, quando alguém, não importa quem, clama por socorro.
No átrio, conhecemos pessoas com os mais variados problemas. Recebemos com carinho os que, muitas vezes, entram chorando na igreja, oramos, nos preocupamos e lutamos em oração pela libertação ou cura de alguém. Ainda assim, ao meditar naqueles depoimentos todos, senti-me tão pequena e indigna da Obra do Senhor Jesus! Confesso que até uma frustração me sondou, como se o diabo, à espreita, me acusasse de ser improdutiva de alguma maneira. Então orei, dizendo: “Meu Deus, como eu não sou nada diante dessas pessoas que estão dando a vida para ajudar outras! O que eu estou a fazer por alguém? Por mais que eu Te peça para enviar pessoas para que eu possa ajudar, parece que é, e sempre será, insuficiente…”
Mas, no mesmo instante, o Espírito Santo me deu um entendimento sobre aquela tristeza que comecei a sentir. Ele me explicou que a questão não é fazer mais ou menos para Ele, e sim, ser para Ele. Ouvi Sua Voz doce a me falar: “Você tem o meu Espírito. Eu te escolhi. Seja o que Eu Sou.”.
Na mesma hora eu me alegrei e chorei. Porque junto com aquelas palavras eu compreendi que toda disposição para servir ao Senhor é válida para Ele. O Seu reino precisa de trabalhadores, e aqueles que se dispõem, de alguma forma, são usados por Ele. A maneira como isso vai acontecer é com Ele. As pessoas que Ele vai colocar no caminho, também. E Ele sempre coloca. Seja na rua, quando alguém pede um prato de comida, e temos oportunidade de dar também o Alimento para a alma; seja no mercado; na igreja; na família ou no transporte público. Porque nessa grande seara da vida, o que não faltam são cestos para serem cheios.
Por isso, não importa onde estamos, se no Norte ou no Sul, de um lado a outro há gemidos de dor. Mas só quem tem o Espírito, que também Se expressa com gemidos inexprimíveis diante do Altíssimo, é que entende o sofrimento alheio e age para fazer algo a respeito.
Os relatos das esposas me fizeram desejar ser mais forte e buscar em Deus um interior inabalável. Como elas que, apesar das aflições, buscaram fortalecimento não numa referência da autoajuda ou numa amizade, mas numa fonte mais profunda, que jorra do Alto. Mesmo no átrio, então, podemos dar as mãos a essas mulheres tão admiráveis, orando e intercedendo por elas e pelas almas que elas cuidam.
O Espírito Santo é maravilhoso. Une os Seus filhos espirituais, a léguas de distância, pelo Seu vínculo do amor. Ainda que não nos conheçamos, temos o mesmo DNA espiritual que ultrapassa os limites genéticos. Pois, sendo lavados pelo Sangue precioso de Jesus, passamos a ter os mesmos traços e as mesmas características de filhas e filhos do mesmo Pai. Além do mesmo coração voluntário, ainda que, quer seja no Altar, quer seja nos seus átrios, levemos a Sua Palavra, de formas diferentes, da maneira que Ele determinar.
– Jaqueline Corrêa
Revisora do livro Numa Missão










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