Eu sempre desejei que o “Ide por todo o mundo” para pregar o Evangelho se cumprisse na minha vida, mas eu nunca achei que, de fato, isso aconteceria. Pois a Vontade de Deus é soberana e nós aprendemos a não almejar nada.
Até que um dia fomos escolhidos para ir para a Índia. Eu só conseguia me imaginar lá vivendo o que está escrito, estávamos muito felizes.
Posso dizer que aconteceu de tudo para não chegarmos na Índia, é uma longa história…
Mas, um fato que eu lembro e que nunca saiu da minha memória foi que, algumas esposas de pastores estavam tristes por mim, por estar indo para um país com uma cultura tão diferente como a Índia. Uma delas disse-me: “Você quer mesmo ir? Tem certeza?”
Eu não entendia porque elas estavam preocupadas, enquanto eu estava radiante de alegria.
Eu não queria pesquisar nada sobre a Índia, eu não queria ver vídeos, pois queria viver as experiências, fui de coração aberto.
O dia chegou, e eu estava no solo para onde Deus tinha nos enviado. Quando saio do aeroporto, sinto o peso espiritual.
O choque cultural é o de menos, o pior mesmo é a idolatria e com isso a bagunça que ela traz.
Eu não vim de uma família abastada, mas nunca passei fome, nunca passei frio, passamos momentos apertados sim, mas tínhamos o pão de cada dia, graças a Deus.
Eu nunca tinha visto a miséria de perto, e eu vi na Índia.
Eu vi o quanto ser mulher nesse país é desafiador.
Eu vi homens sem nenhum pudor.
Eu ouvi relatos de estupro e agressão de pessoas, relatos cruéis que eu nunca tinha ouvido.
Eu vi o que a religião, a idolatria causa na mente das pessoas.
Estar na Índia é como estar em outro mundo, é assim que nos sentimos.
Mas é maravilhoso e renovador quando escolhemos olhar para a boa parte, que são as almas aflitas, que necessitam conhecer o Senhor Jesus
Dois meses se passaram e eu tinha muito cuidado com o que comia, pois meu corpo ainda não estava acostumado com a comida e temperos indianos.
Mas, mesmo assim, infelizmente eu fiquei muito doente.
Um dia acordei com vômitos e febre, dores em todo o corpo, dor no estômago e um pouco de falta de ar. Fiquei aflita, pois eu nem sabia como me comunicar, como explicar o que eu tava sentindo.
Nesse período, além do casal responsável pelo país, nós éramos o único casal brasileiro. Na Índia tem inúmeros dialetos, mas nos comunicamos com o inglês. Mas eu não falava nada, não entendia nada, era bem difícil.
Fiquei em casa tentando me hidratar e tomando remédio para febre. No dia seguinte, não teve jeito, tive de ir para o hospital. Graças a Deus a esposa do pastor responsável na época era brasileira e me ajudou. Deus sempre cuida dos Seus servos.
Ela foi comigo, para ajudar a explicar o que eu estava sentindo. Eu realmente achei que fosse só uma má digestão; eu nem imaginava o que estava por vir.
O hospital que eu fui era particular. Depois de explicar para o médico o que eu estava sentindo, ele disse que eu deveria ficar internada.
Pedimos para ele prescrever os remédios para que eu pudesse fazer o tratamento em casa, pois quanto mais tempo no hospital, maior o risco de contrair alguma infecção por bactérias. E foi isso que fiz, eu tomei medicação e fui me cuidar em casa.
Eu estava deitada na cama , com febre, fraqueza e fortes dores, eu pedia para Deus me dar forças e me curar.
Meu esposo disse que chegou em casa a noite e me chamava, me sacudia e eu não respondia (eu não lembro disso, acho que estava desmaiada) depois de alguns minutos eu acordei e só conseguia chorar.
Voltamos para o hospital, foi pedido um exame e o resultado foi uma infecção severa no sangue. Pelo tipo de infecção foi uma bactéria encontrada na água. O nível de infecção estava altíssimo e tive mesmo de ficar internada.
Foi horrível, eu nunca tinha ficado internada em hospital na minha vida. Fiquei três dias no hospital com o catéter no braço para medicamentos. Aplicavam antibióticos na veia três vezes ao dia e vários outros remédios que me deixavam muito sonolenta. Eu só pedia para Deus me proteger de infeções hospitalares.
Eu não estava entendendo o porquê isso estava acontecendo comigo. Eu não questionei a Deus, mas, chorando, disse para Ele que esse momento difícil que eu estava passando ia glorificar o Seu nome..
Eu só pedia para Deus me ajudar a amar aquele país e aquele povo como meu povo, como minha terra. Eu pedia para que Ele me ajudasse a aprender inglês e poder me comunicar. Eu estava vivendo uma batalha muito grande, física e espiritual. O diabo lançava muitos pensamentos ruins, então eu me lembrava de Jesus no dia da tentação, e assim tinha forças para resistir aqueles pensamentos
Deus é bom o tempo todo!
Depois que me recuperei, tive uma grande experiência com Deus.
Eu entendi que tudo é para a glória dEle, até a doença, pois nesse momento em que estamos tão fragilizadas, seguramos nas vestes dEle como se não houvesse o amanhã, Ele nos fortalece.
E assim, Ele é glorificado! Quando não culpamos a Deus, quando não duvidamos de quem Ele é e confiamos no Seu poder, Ele é glorificado.
Eu amei a Índia como minha casa, eu amei aquele povo como se fossem do meu sangue.
Depois que me recuperei, em 6 meses eu já entendia e falava inglês. Para uma pessoa que nunca estudou inglês e pensava que nunca ia conseguir aprender, Deus me ensinou, pois Ele é o melhor professor.
Começamos o trabalho evangelístico em núcleos, também através de trabalhos sociais até estabelecer uma igreja.
Foram 5 anos de muitas lutas, mas eu lembro de todas elas com alegria e gratidão.
Desde então, esse versículo me acompanha:
“E Jesus, ouvindo isto, disse: Esta enfermidade não é para morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela.” – João 11:4
– Jeanne Henrique, atualmente na Inglaterra.










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